quarta-feira, março 15, 2006

O Liberalismo contra os Liberais

O Tiago Barbosa Ribeiro escreve no seu Kontratempos:


Ao ler este texto, fico com a ideia de que um liberal apenas pode defender a possibilidade de escolha para o resto da população, e não poder aplicá-la a si próprio. Eu escolho aquilo que quero para mim, mas defendo a possibilidade de todos poderem ter a liberdade de efectuar a escolha. Isto é um pouco diferente daquilo que é referido no texto. É esta que tem de ser a filosofia de um liberal.

O tema dos casamentos de homossexuais não é um tema de cisão nos liberais, nem vejo como poderia ser. Será que dois liberais têm de concordar neste tipo de assunto? Porquê? É necessário ter em conta que nesta argumentação não se discutem apenas a liberdade das pessoas, mas também o contrato que se estabelece entre elas, tendo o Estado como testemunha e quais os propósitos e benefícios do contrato. Se um liberal assenta a sua filosofia na liberdade, convém que possa ser livre na escolha que faz das suas posições.

Nota: Sobre este tema, escrevi há algum tempo este post.

French Protectionism?


Primeiro de tudo, alguém necessita de explicar ao Presidente Chirac que o investimento estrangeiro na França não é um sinal de liberdade económica, e de inexistência de barreiras proteccionistas. O proteccionismo refere-se à não abertura do mercado económico françês aos produtos externos. Chirac considera absurdas as declarações (absolutamente certeiras) de proteccionismo económico, mas foi este mesmo país que se apelida de "livre" que mais entraves colocou à aplicação da directiva de Bolkestein, uma medida absolutamente vital para uma maior liberalização dos serviços europeus.

Desta maneira, espero que Chirac não se surpreenda se as suas lições sobre liberdade económica não sejam tomadas a sério pelos parceiros europeus.

terça-feira, março 14, 2006

"Social: palavra-doninha"

José Manuel Moreira, no Diário Económico:




Incompatibilidades: Golf e Política


Já é uma rotina...


Observar diariamente na secção de Economia dos jornais a palavra OPA e os montantes envolvidos em milhares de milhões...

segunda-feira, março 13, 2006

A Caixa de Pandora



A propósito dos recentes distúrbios em França devido à polémica lei que o Primeiro-Ministro Dominique de Villepin pretende implementar, José Manuel Fernandes coloca o dedo na ferida no editorial de hoje do Público (link não disponível).

O problema do desemprego não pode apenas ser atacado em determinados sectores, mas sim de maneira geral e definitiva. O problema reside de facto na excessiva regulamentação laboral, mas a solução não passa por levantar exclusivamente o proteccionismo laboral nos jovens trabalhadores. É certo que a medida vai no caminho certo, e ao contrário do que muitos insistem em rejeitar, irá contribuir para a diminuição do desemprego. Por vezes parece ser mais simples aplicar uma reforma aos poucos, para depois extender progressivamente a todos. Neste caso não me parece que isso seja um bom princípio, principalmente em França. Pois como diz José Manuel Fernandes, arriscamo-nos a abrir uma caixa de Pandora.

Assustador...

Segundo a DGS, cem mil portugueses estão classificados como «fundamentais para o país», dado os cargos que ocupam, e por isso irão receber anti-virais em caso de pandemia provocada pelo vírus da gripe das aves.

O Rodrigo Moita de Deus faz o retrato do país nestas circustâncias:


Dá que pensar...

domingo, março 12, 2006

Excelente Estreia

Helena Matos, no Blasfémias:

Creio que desde a viagem de Otelo Saraiva de Carvalho a Cuba que não se via algo semelhante ao tom que rodeou a viagem de Sócrates à Finlândia. Desde já esclareço que não me desagradava nada que Portugal tivesse um padrão de vida próximo do da Finlândia mas a forma como recente a viagem de Sócrates à Finlândia foi transformada numa espécie de curso intensivo sobre o modelo que Portugal deve adoptar só tem equivalente mediático na viagem de Otelo Saraiva de Carvalho a Cuba. Esta ideia de que um governante sai do aeroporto num qualquer país e regressa a Portugal no dia seguinte com um modelo alinhavado no bolso é duma infantilidade total. Mas uma infantilidade que em Portugal resulta sempre. Será que alguém sabe o que resultou desta ribombante viagem de Sócrates à terra do modelo além da visita a uma escola e à Nokia? A marcação dum seminário a que comparecerão convidados finlandeses. Enfim nada não aconteça na mais prosaica visita de qualquer director-geral a outro país.

Michelle Bachelet


Fim

É com muita pena que dois dos melhores blogs nacionais chegaram ao fim: O Espectro e O Sinédrio. Esperemos que seja apenas uma breve pausa.

sexta-feira, março 10, 2006

"Os Ignorantes", por Freitas do Amaral



Freitas do Amaral continua a sua saga dos cartoons, escavando cada vez mais a sua sepultura política. Muito sinceramente não sei o que o nosso MNE espera, mas uma coisa eu lhe garanto. Este não será certamente o herói do sítio, nem talvez no Irão, país do qual o nosso estimado Ministro ainda tem índices de popularidade aceitáveis.

Hoje sua excelência voltou a elucidar-nos quanto às suas posições neste tema sensível:

Questionado sobre se mantinha a popular frase do último debate na AR, Freitas afirmou que "Não reformulava essa frase, apenas talvez a explicasse a quem não sabe aquilo que só os ignorantes podem ignorar". Mais, ensinou que juridicamente significa "perceber as causas" e condenar significa "discordar e considerar negativo o facto".

"Compreender não significa 'sim, eu compreendo e estou consigo', mas que intelectualmente, somos capazes de perceber por que isto acontece".

Recapitulemos, nós os que discordamos de Freitas somos ignorantes. Compreender significa perceber as causas, apenas a um nível intelectual. Condenar significa discordar ou considerar negativo o facto.

Pronto, por hoje é tudo. O Prof. Freitas do Amaral deve prosseguir as suas aulas na próxima reunião de Ministros dos Negócios Estrangeiros da UE, caso não tenha de faltar. Nesse caso será substituído na docência pelo Secretário de Estado dos Assuntos Europeus.

A outra metade da Balança...

Roma não paga a traidores.

O Balanço de Ana Gomes

Dos fracos não reza a História.

quinta-feira, março 09, 2006

Discursos Presidenciais



Através d'O Insurgente cheguei a este discurso do Presidente da República Checa no Luxemburgo, o qual recomendo vivamente:




I am in favour of the first model, not of the second.(...)

Desejos para o discurso de tomada de posse do PR (V)

Que não se esquecesse do seu partido se referisse o PSD. - Ribeiro e Castro

Desejos para o discurso de tomada de posse do PR (IV)

Que referisse as siglas PSD. - Marques Mendes

Desejos para o discurso de tomada de posse do PR (III)

Não tem. O Presidente Cavaco foi quase um porta-voz da estratégia do Governo. - José Sócrates

Desejos para o discurso de tomada de posse do PR (II)

Que Cavaco não estivesse em sintonia com José Sócrates. - Jerónimo de Sousa

Desejos para o discurso de tomada de posse do PR (I)

Que se falasse do Irão e do tema "Nuclear". - Francisco Louçã

Imagem do Dia

10 Anos


Passados dez anos, que balanço é possível fazer da presidência de Jorge Sampaio? É sempre difícil efectuar uma avaliação com base em anteriores presidentes, tendo em conta que ainda foram poucos aqueles que foram eleitos pós-25 de Abril. Deste modo, as opiniões sobre o mandato de Sampaio recaem maioritariamente sobre as suas escolhas e a forma como entendeu o semi-presidencialismo.

Eu creio que Sampaio enfraqueceu o cargo de PR, mas não por ter sido um líder "fraco", mas sim por não ter utilizado da melhor forma os grandes e os pequenos poderes do cargo. Ao longo deste tempo, um acontecimento ficará na história da política nacional - a dissolução da assembleia. Para todos os efeitos, esta foi uma decisão forte, reveladora de um grande poder presidencial. Os Portugueses tiveram a percepção de que o cargo afinal não era inútil, possuía indicações que o sustentavam. Todavia, não é de dissoluções que vive um cargo como o de PR. E foi neste aspecto que Sampaio teve uma acção que deixou muito a desejar, esvaziando pequenos poderes que enfraqueceram a sua posição. O regime semi-presidencialista não significa que o cargo de PR deva estar num canto completamente oposto ao do parlamento, até porque os regimes sofrem oscilações, e neste caso em particular o parlamentarismo foi muito forte, em parte devido a Jorge Sampaio.

Não creio que Sampaio vá deixar saudades, tendo em conta que foi na sua governação que Portugal conheceu um dos maiores períodos de instabilidade pós-25 de Abril. Em alguns aspectos teve azar, mas não certamente em todos. Na política existe a sorte, o instinto e a firmeza, sendo a primeira o único factor que não é facilmente controlado. Assim, Sampaio poderia ter poupado muitos tristes episódios à sua pessoa, e a todos nós. Mas o grande balanço de Sampaio ainda não chegou. Será quando Cavaco assumir definitivamente a presidência, que ficará claro como foi a presidência de Jorge Sampaio.

terça-feira, março 07, 2006

Dúvidas existenciais

O Rodrigo Moita de Deus interroga-se sobre qual a razão pela qual O Acidental não possui o mesmo sucesso que outros blogs, nas caixas de comentários. Eu poderia dar imediatamente uma resposta aqui neste blog ou na caixa de comentários do post do RMD, mas reparei que já foram muitos aqueles que lhe responderam.

Afinal é possível ter sucesso nos comentários. Para isso bastou escrever um post humilde e não agressivo quanto aos comentadores. Esta reacção já diz muito sobre a dúvida inicial.

SNS


Ares Nórdicos


José Sócrates fez uma visita à Finlândia, na tentativa de encontrar inspiração para governar o país, tendo por base o modelo finlandês.

Questiono-me porque razão é que José Sócrates apenas um ano depois de assumir a liderança do executivo, é que efectuou esta viagem. Provavelmente foi por esta razão, que o último ano não foi muito bem aproveitado.

Esta viagem serviu ainda para José Sócrates explicar que é possível ter um país desenvolvido e competitivo, com um estado social forte. O que o nosso PM não referiu é que isso é apenas possível dadas as condições excepcionais que goza a Finlândia.

Mas enfim, o importante é que o executivo socialista encontrou a inspiração. Que esse modelo não sirva para Portugal, é algo secundário.

segunda-feira, março 06, 2006

1 Ano

663 posts. Este é o número de posts que escrevi desde que este blog arrancou há precisamente um ano. Reflectindo sobre todos estes meses, nem sei como chegou até aqui. Para isso basta pensar na maneira como surgiu, fruto da tentativa de ocupar o tempo na net. Foi desta forma banal que me surgiu a ideia de criar um blog. Não para lá escrever um diário, ou anonimamente insultar quem me apetecesse. Apenas possuir essa ferramenta que está e estava tão em voga na altura.

Porém, debati-me com o meu primeiro desafio. Que nome dar ao meu blog? Passaram-me pela cabeça 1001 nomes possíveis e impossíveis, cada um mais hilariante que o outro, e era terrível verificar que já estavam todos ocupados. (É como criar uma conta no Hotmail, todos os nicknames estão preenchidos...) E foi num triste momento, completamente saturado das minhas tentativas infrutíferas, que digitei no teclado Bodegas. Até hoje nem sei bem o que quis/quero dizer com este nome. Algum tempo depois, através do companheiro Google, pude descobri a amplitude da palavra e até o seu sabor. O nome ficou, e o blog também.

Passada está a primeira etapa, o desafio do primeiro post. Neste tipo de coisas, requere-se que o blogger explique aos seus leitores quais os temas que serão discutidos no blog. Como ainda não sabia ao certo o que iria dar, a minha apresentção foi o mais abstracta possível, apenas esperando que este não fosse mais um blog que uma semana depois estivesse abandonado, como acontece tão frequentemente.

A rotina foi algo que foi entrando progressivamente na minha agenda. Inicialmente os meus posts eram colocados apenas quando a minha mente me lembrava que possuía um blog, e quem sabe um ou dois míseros leitores. Escusado será dizer que nesta fase precoce não fazia ideia do significado das palavras "Sitemeter" e "Bravenet". Mas gradualmente, o blog encontrou o seu rumo e com a ajuda de várias pessoas, lá melhorei o template do blog, e instalei um Sitemeter e um Bravenet.

Passado um ano, posso dizer que me orgulho do espaço que criei, que não é só meu mas de todos os que aqui passam diariamente. Os comentários que aqui são deixados reflectem a pluralidade de pensamentos das pessoas que visitam este blog, dos mais diversos quadrantes políticos e dos mais variados cantos da sociedade. É de facto um prazer escrever neste ambiente, nesta articulação com tantas distintas pessoas da blogosfera, fazendo parte desta vasta comunidade que se conhece e com quem diariamente troco mensagens.

Suportar um blog sozinho, tentanto manter alguma regularidade nos posts não é tarefa fácil. Porém, sei bem qual é a sensação de chegar a um blog e encontrar sempre o mesmo post, já com vários dias. Num dia-a-dia que é sempre exigente, lá se encontra uma pequena folga para escrever qualquer coisa, recomendar um texto, fazer referência a determinado acontecimento, ou simplesmente explicar o nosso estado de espírito depois de ter ouvido alguma declaração na TV completamente lamentável.

A tendência actual é dos blogs de vários autores, sejam construídos de raíz ou originados pela fusão de blogs (porventura através de alguma OPA blogosférica, para nos adaptarmos aos novos tempos)... É um facto que os blogs colectivos tornam a vida na blogosfera muito mais fácil, pelos mais diversos motivos que aqui não vale enumerar. Eu apenas desejo continuar a escrever sobre aquilo que penso num espaço deste género, com ou sem companheiros, participando nas mais diversas discussões que se realizam neste tipo de ambientes.

Obrigado a todos!


Adenda: Um agradecimento especial às simpáticas referências dos colegas dos seguintes blogs:

Aniversário

Este blog completa hoje um ano.

domingo, março 05, 2006

Um conceito diferente de MIT

Luís Cabral, no Diário Económico:


(...)



sexta-feira, março 03, 2006

Quote of the Day (III)

We who live in free market societies believe that growth, prosperity and ultimately human fulfillment, are created from the bottom up, not the government down. Only when the human spirit is allowed to invent and create, only when individuals are given a personal stake in deciding economic policies and benefitting from their success -- only then can societies remain economically alive, dynamic, progressive, and free. Trust the people. This is the one irrefutable lesson of the entire postwar period contradicting the notion that rigid government controls are essential to economic development.


Ronald Reagan

Quote of the Day (II)

Socialism is the philosophy of failure, the creed of ignorance and the gospel of envy.


Winston Churchill

Quote of the Day (I)

We want a society where people are free to make choices, to make mistakes, to be generous and compassionate. This is what we mean by a moral society; not a society where the state is responsible for everything, and no one is responsible for the state.

Margaret Thatcher

quinta-feira, março 02, 2006

"Eu não estou isolado!"



Foi o grito de Freitas do Amaral na sessão parlamentar, depois de uma desgarrada em inglês com Nuno Melo, onde se discutiu a questão da tarde: Onde param três frases do documento assinado pelos 25, que aparentemente apenas estão na posse do MNE e que sustentam a trágica opinião de Freitas do Amaral...

É apenas um problema de compreensão...

Freitas do Amaral esclareceu definitivamente as coisas.

"A violência é condenável, mas compreensível."


E mostrou-se muito espantado pelas pessoas não compreenderem isto.

Não, não foi interferência...

Eu pensei que pudesse ter sido fruto de alguma interferência, mas quando reparei que outros também ouviram as declarações de Freitas do Amaral, fiquei seriamente preocupado...


"(...)a violência, condenável, é certo, mas perfeitamente compreensível..."

Climate Cartoon

O próximo congresso não promete...




Esta sondagem não constitui uma grande novidade para os mais atentos à situação do PSD. Porém, para Mendes o resultado é deveras baixo e não é próprio do líder do maior partido da oposição no parlamento, e que se assume como um dos vencedores das duas últimas eleições.

A popularidade de Marcelo Rebelo de Sousa é compreensível, dado o mediatismo que possui na sociedade portuguesa. Mas no que diz respeito a Manuela Ferreira Leite e António Borges, Marques Mendes perde em toda a linha, ainda para mais tendo em conta que estes dois têm estado muito "calmos" ultimamente. A receita "silenciosa" de Sócrates pode funcionar bastante bem para o governo, mas está ser péssima para o PSD de Mendes.

Economic nationalism bad for Europe



quarta-feira, março 01, 2006

Política Externa Europeia




Todos já se aperceberam da fantochada que é o cargo de Javier Solana. Era muito mais simples a extinção do cargo do que continuar com aquela representação. A posição da UE em questões de política externa não é dada por Javier Solana mas sim pelas declarações dos MNE dos diversos Estados da UE. A preservação deste "cargo", é prosseguir a lenta descredibilização da política externa europeia.

É possível ser-se socialista e liberal?

Artigo no Diário Económico, de Miguel Angel Belloso:

Um destes dias, quando assistia a um interessante debate, um elemento do público lançou a seguinte questão: “É possível ser-se socialista e liberal?” E acrescentou: “Se um socialista anunciar que vai limitar a despesa pública a 20% do PIB e que tenciona liberalizar os mercados, não correrá o risco de lhe chamarem liberal?”. Um senhor de provecta idade, mais experiente e mais douto retorquiu: “Não”. Nunca. “A pedra de toque para reconhecer ou distinguir um socialista de um liberal não está na percentagem do PIB nem no grau de liberalização que possa propor para os mercados. É a percepção da realidade que os distingue. O liberal pensa que a cooperação social em prol da comunidade é feita individualmente, enquanto o socialista é arrogante – como diria Hayek – ao ponto de achar que o governo, ou melhor, que um governo socialista, pode construir uma ordem social mais perfeita”.

Aniversário na blogosfera

O Blasfémias completa hoje dois anos de heresias...